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DA A MÃO PRA APANHAR

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Essa frase eu ouvi muito desde que aprendi a andar, tanto meu pai como minha mãe sempre tiveram um comportamento deliberado quando iam punir as filhas. As ações eram executadas com toda força e raiva que um ser humano pudesse ter e a justificava era a “boa educação das filhas”. Nessa violência física constantemente sofrida morava um monstro muito maior. O da violência psicológica. A expressão “da a mão pra apanhar” significava  agir contra você mesmo. Para evitar a possibilidade da criança ao ser espancada sair de perto do agressor era preciso segurá-la. Mas não era apenas pegar a mão dela e bater. Era necessário humilhá-la. E fazer com que ela mesmo sabendo do cruel castigo que lhe esperava, aceitasse estendendo a mão para apanhar. Os castigos eram tão cruéis que nunca experimentei correr pra ver o que acontecia. Com a cinta, a vara, a espada de são Jorge, o fio do ferro, o pau de bater roupa, ou seja o que estivesse disponível ao alcance, tanto pai quanto mãe exprimiam...

SERIA O PAPEL HIGIÊNICO?

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QUAL É O TEU PAPEL UNIVERSIDADE? SERIA O DESENVOLVIMENTO HUMANO? BARRADO TODOS OS DIAS PELAS PORTAS FECHADAS? PELAS GOTEIRAS EM CIMA DAS CARTEIRAS? PELO CERCEAMENTO DE ALUNOS E PROFESSORES? QUAL É O TEU PAPEL UNESPAR? SERIA UMA EDUCAÇÃO HUMANIZADORA? OU SERIA A DISPERSÃO DOS ACADÊMICOS EM OUTROS PRÉDIOS EVITANDO QUE ELES COMUNGUEM DO MESMO ESPAÇO? OU SERIA CONFINÁ-LOS EM UM ESPAÇO TÃO PEQUENO SEM ESTRUTURA PARA RECEBÊ-LOS COM COERÊNCIA? QUAL É O TEU PAPEL GOVERNADOR DO ESTADO? SERIA O DE AJUDAR A PROMOVER A PÁTRIA EDUCADORA? EXTORQUIR E MASSACRAR OS PROFESSORES? OU DIFICULTAR AO MÁXIMO O ACESSO AO ENSINO PÚBLICO PARA A POPULAÇÃO A FIM DE MANTE-LOS SOBRE O CABRESTO PARA QUE TÚ CONTINUES NO PODER? QUAL É O TEU PAPEL ACADÊMICO? É BATER NO PEITO E LUTAR ESTA LUTA JUSTA DANDO SEU SANGUE E SUA VIDA POR UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE EXIGINDO SEUS DIREITOS E OS DEVERES DO ESTADO OU VÃO ACEITAR CALADOS QUE ENFIEM OS CORTES COM  DESPESAS  A GOELA...

A noite em que me tornei humana

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Senti a dor da solidão, o peso da culpa Perdi o rumo, os sentidos, as vaidades, os pudores Rastejei entre as folhas caídas no chão Sentindo o cheiro de vômito nos cabelos O consciente já inconsciente nada mais pensava, Apenas sentia tudo intensamente Sofria silenciosamente O coração calado por tanto tempo, Falei de coisas que mostravam quão frágil e imperfeita sou Vaguei como um anjo caído Até encontrar meu anjo da guarda Que me vendo tão frágil e inconsolável Segurou a minha mão até a parte mais fria da noite passar E então, ao amanhecer, eu expirei Desprendendo-me daquele corpo frágil e fétido Retornei ao meu status de Semi-Deusa Com a missão de aperfeiçoar o imperfeito E evitar o inevitável. Lunah Lan

O SABOR DA COCA-COLA

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Minha mãe para seguir os passo errantes do meu pai, deixou-me aos cuidados de minha avó (agradeço muito por isso, esse período significou menos surras, mais sonhos e possibilitou-me a criatividade da solidão, que eu prometo contar em outro texto). Tinha nessa época entre 6 a 8 anos. Minha avó necessitava de constantes viagens para tratamentos médicos na capital e deixava-me aos cuidados de outros parentes. Certa feita fiquei com uns tios, casa cheia de crianças. Na casa moravam o casal e cinco filhos, dois jovens, dois adolescentes e um mais novo que eu. Até aí tudo bem. Eles tinham o compromisso me mandar para a escola, me alimentar e fornecer local para eu dormir enquanto minha avó estivesse fora. Não tinha café da manhã como a vovó fazia – pão com ovo frito, um copo de leite com chocolate e aveia. Era uma caneca de chá, se quisesse. Quando eu chegava da escola todos já haviam almoçado e eu podia comer o que tivesse sobrado. Era visível a má vontade em tomarem conta de mim. ...

A LUZ DE VELAS É MAIS ROMÂNTICO

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Eu sempre fui uma criança muito curiosa. Sempre tive muita vontade de escrever e principalmente de ler. Meu pai não gostava muito disso. Irmã mais velha de três irmãs e carrego nas costas e nas pernas marcas dos espancamentos por traquinagens que muitas vezes eu não tinha feito. Eu lia tudo. Placa de rua, eu morava na Rua Visconde de Taunay e a minha primeira curiosidade era porque se escreve Taunay e se fala Toné. Toda vez que eu preguntava me mandavam calar a boca, até a professora ficou furiosa quando perguntei. Quanto mais mandavam me calar, mais curiosidade de descobrir eu tinha. Lembro-me do primeiro gibi. Achei na rua um gibi do TEX, história de cowboy, não era pra minha idade é claro, nenhuma leitura era. Eu tinha que cuidar da casa, lavar a louça e varrer o quintal cuidar das irmãs. Na minha casa tinha uma folhagem que não precisava muito de água e como era eu que colocava água não tinha o que temer. Escondi o meu gibi no meio da densa planta. Ao anoitecer ia à “privada” ...

O PALADAR DA GANÂNCIA

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O rio que era Doce Na lama amarga afogou-se O preço da água salgou Quantos sonhos azedou A cidente  ou  desastre ? Não! A fome de lucro  E sua violência peristalse O devorou! Lunah Lan

AOS TRANCOS E BARRANCOS

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Ontem eu ouvi esse dito popular que significa de qualquer maneira, de maneira improvisada. E me dei conta que é aos trancos e barrancos que a história se faz. Não importa quantas planilhas fazemos para organização das coisas, temos o relógio, o calendário, a agenda, os famigerados celulares. Tem crianças (e adultos) que se guiam pelas programações das TVs, e se por acaso a programação muda, lá se foi o seu dia “água a baixo”. Programamos aquele regime para a segunda feira e quando encontramos os amigos eles estão tomando cerveja com fritas, como não socializar, não é mesmo? Programamos aquele dia na praia e amanhecemos com cólica ou chove o dia todo. E as férias? Aquelas que no meio do ano a gente já começa a sonhar e vai passando o tempo e queima o chuveiro, fura o pneu do carro, acaba o gás de cozinha, a empresa fali. A vida é cheia de percalços, todos as noites alguns dormem fazendo os planos de como será o seu amanhã, mas no outro dia o despertador não toca e você acor...